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Entre o querer e o possível: o que em nós realmente escolhe?

  • 12 de nov. de 2025
  • 6 min de leitura

Atualizado: 22 de nov. de 2025

BodyTalk e Constelações Sistêmicas ajudam a revelar o campo invisível das escolhas — onde corpo, mente e ancestralidade se encontram.


Está chegando o final de ano, onde as tradições e rituais de revisão e renovação, ocupam parte das expectativas para o próximo ano.


Elaborar listas, envolve fazer escolhas e comprometer-se em cumpri-las mas, baseado em quê nós escolhemos?


Este texto busca refletir sobre o quanto somos conscientes, sobre aquilo que escolhemos.



O que diz a ciência.


O neurocientista Robert Sapolsky, professor de biologia em Stanford, ficou conhecido por desafiar uma das crenças mais centrais da experiência humana: a de que temos livre-arbítrio.


Em seu livro “Determined: A Science of Life Without Free Will” (2023), Sapolsky defende que nossas decisões não nascem de uma vontade livre, mas são o resultado de uma complexa rede de causas anteriores — biológicas, genéticas, sociais e familiares.


Segundo ele, cada escolha é o ponto final de uma longa cadeia de eventos e nenhum deles passa por critérios de escolha, podendo localizar-se:

-segundos antes, influenciado por atividades cerebrais inconscientes;


-horas antes, impulsionado por níveis hormonais, sono e estresse;


-anos antes, determinados por traumas, educação e cultura;


-e até gerações antes, carregados por heranças genéticas e padrões familiares.


Sapolsky conclui que “Não há um momento em que se possa dizer: aqui começa a escolha livre.”


Essa visão, conhecida como determinismo biológico, pode provocar desconforto — especialmente quando pensamos em nossas decisões mais íntimas e existenciais, mexendo com a natureza do ser humano de arbitrar sobre a vida.


Isso pode gerar um sentimento de impotência ou confusão, afinal “Se nada é totalmente livre, por que escolher?” "Quem escolhe quando digo “eu escolhi”?



Porém nem todos os cientistas concordam com Sapolsky.


Filósofos e neurocientistas como Daniel Dennett, Michael Gazzaniga e Alfred Mele propõem uma visão chamada compatibilismo, onde argumentam que a consciência atua como um sistema interpretativo e coordenador — e isso afeta o comportamento.


Mesmo que parte das decisões seja inconsciente, a consciência pode influenciar o que o inconsciente prepara.


Dennett defende que o livre-arbítrio não é mágico — basta entendê-lo como a capacidade humana de refletir, prever consequências e agir conforme valores, funcionando como um sistema de medição de consequências, que levam à decisão.


“Não precisamos de um livre-arbítrio absoluto, mas do tipo de controle que nos torna responsáveis.” — diz Daniel Dennett


Já Gazzaniga, em “The Ethical Brain”, argumenta que a consciência atua como um sistema coordenador: mesmo que parte das decisões surja de processos inconscientes, ela pode reorganizar e transformar o que o inconsciente propõe, funcionando como um fiscal interno, um intérprete nos faz ter a sensação de controle, diante de uma decisão.


Em outras palavras, talvez não tenhamos controle total, mas temos capacidade de consciência — e é isso que abre espaço para a revisão das escolhas e para a ética.


Claro, isso se aplica quando há espaço para reflexão, quando "um passo para trás " é possível e a reatividade impulsiva não culmina em atos agressivos.


Por isso, independente de concordar se temos ou não escolha, recomenda-se respirar...



Por outro lado, uma visão espiritual ou sistêmica percebe que a vida se manifesta através de nós, e que escolher também é um modo de responder ao fluxo da vida — não de controlá-lo.


É aqui que entram métodos como BodyTalk e Constelações Familiares, pois oferecem uma ponte — não como oposição à ciência, mas como expansão de perspectiva.



Tanto o BodyTalk quanto as Constelações Familiares tem grande sensibilidade para lidar com o dilema das escolhas, justamente porque estão de acordo com a visão da ciência, e não tratam a decisão apenas como um ato racional, dependente da força de vontade, mas como a expressão de um sistema maior: corpo, mente, emoções, ancestralidade e campo de consciência.


A seguir, explico como cada abordagem pode ajudar a reconciliar a “pressão da escolha” com uma percepção mais ampla da vida:


BodyTalk: não seja refém dos hormônios e frustrações.


No BodyTalk, entende-se que o corpo possui uma inteligência inata que se comunica o tempo todo — por meio de sensações, sintomas e emoções.

Quando há sobrecarga ou desconexão, essa comunicação se fragmenta, e a pessoa pode sentir indecisão, ansiedade, reatividade ou confusão mental, comprometendo a clareza.


Durante uma sessão, o terapeuta auxilia o corpo e a mente a restabelecerem essa comunicação.

Com isso, o cliente aprende a perceber sinais internos sutis: leveza, coerência, respiração fluida, sensação de alinhamento.


A decisão deixa de ser norteada para encontrar “qual é a escolha certa?”

e se transforma em:

“qual escolha está em harmonia com a inteligência do meu sistema corpo-mente?”


“qual escolha é a mais coerente e encontra sustentação no meu corpo?”


“como percebo minha clareza mental diante desta escolha?”


"esta escolha é por mim?"


" estou assumindo responsabilidade por esta escolha?"


Essa escuta profunda não busca o controle, nem estabelecer o "certo ou errado ", mas a presença consciente — o lugar onde a decisão se torna um movimento natural, consciente e possível, ainda que difícil, num dado momento da vida.


A clareza surge não do esforço mental, ou da fantasia de transformar o mundo; mas do estado de presença integrada, sem vitimizaçao.


O

Constelações Familiares: o que decide em nós não é só “nosso”.


Segundo Bert Hellinger, criador das Constelações Sistêmicas, muitas de nossas escolhas expressam lealdades inconscientes ao nosso sistema familiar.

Podemos repetir destinos, carregar culpas que não são nossas ou tentar compensar exclusões de gerações anteriores.


Ao trazer à luz essas dinâmicas, a Constelação revela de onde a escolha realmente nasce:


"Estou decidindo por mim ou repetindo alguém do meu sistema?"


"Minha hesitação vem do medo ou de um amor cego?"


"Qual movimento da alma quer se expressar através dessa decisão?"


"Estou escolhendo por mim ou repetindo o destino de alguém?"


"De onde vem o medo de decidir?"


"O que em mim quer permanecer fiel a uma história?"


Quando a ordem e o pertencimento são restaurados, a pessoa sente mais força e serenidade para agir — não por vontade de controlar, mas porque a vida volta a fluir por ela.


Entre o querer e o possível, a liberdade está em ver — e não em controlar — o que em nós realmente escolhe.


Talvez o livre-arbítrio absoluto não exista,

mas existe algo ainda mais profundo:

a liberdade de estar presente, de ver o que antes nos movia no escuro.


E, quando vemos, podemos nos posicionar de outro lugar —

não mais do medo de errar ou dos excessos,

mas da sabedoria de estar alinhados à vida.




Exercício Sistêmico e Sessão de BodyTalk.


Permita-se embarcar nessa Travessia Terapêutica:


Respire fundo. Por um instante, deixe que o ar entre e saia sem pressa — como se o tempo desacelerasse apenas para você perceber onde está.

Há dias em que o mundo parece exigir uma decisão. E, entre o querer e o possível, surge aquele espaço suspenso: onde o corpo hesita, o pensamento gira, e o coração — esse tradutor silencioso — tenta encontrar sentido.

Hoje, o convite é simples: não decidir ainda. Apenas ouvir o que vive dentro do dilema.


🛶Primeira travessia — O corpo fala antes da mente

Traga a atenção para o seu corpo. Perceba onde mora a tensão das escolhas: nos ombros, que carregam expectativas? na mandíbula, que tenta conter palavras? ou no ventre, onde mora a coragem — e também o medo?

Entre o impulso de agir e a prudência de esperar, há uma dança sutil. Talvez o corpo esteja mostrando que há um pedaço de você que quer ir, enquanto outro pede para ficar.

Não há certo ou errado — há apenas o ritmo natural de um sistema buscando equilíbrio.


🛶Segunda travessia — As três presenças internas

Imagine-se num campo silencioso. À sua frente, surgem três figuras. A primeira, firme, olha adiante: é o Eu que escolhe. A segunda, cautelosa, segura algo junto ao peito: é o Eu que teme. A terceira apenas observa, com serenidade: é o Eu que testemunha.

Observe como elas se olham. Há proximidade? Distância? Permita que o corpo responda — sem pressa.

Talvez você perceba que o medo não é inimigo, mas guardião das experiências passadas. Talvez o Eu que escolhe só precise de um pouco mais de escuta, menos cobrança, mais permissão.

E o Eu que observa... ah, esse apenas lembra que você é maior que qualquer decisão.


🛶Terceira travessia — Reconciliação

Enquanto essas partes se olham, algo muda. Você não precisa escolher agora. Pode apenas permitir que o querer e o possível conversem — como dois rios que se encontram e seguem juntos, mesmo que em águas turvas por um tempo.

Respire. Sinta que há uma sabedoria em não apressar o fluxo. A escolha, quando amadurece por dentro, vem leve, sem resistência.


☀️Retorno

Leve consigo uma frase de força:

“Eu reconheço que nem tudo está sob meu controle, mas posso escolher estar presente à vida que me escolhe também.”

Fique um pouco nesse silêncio, como se uma paz se instalasse nas bordas do indeciso.


E quando você sentir, clique aqui

para ouvir a sessão de integração: tomar a vida.


O dilema não desaparece, mas agora há espaço — e dentro desse espaço, consciência.

Porque escolher não está em decidir mais rápido, mas em estar desperto no instante em que a vida decide junto com você.


Entre o querer e o possível, está o estado de presença.


Por Celia Barboza



 
 
 

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