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A Importância da Técnica dos Córtices

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura


Entre as diversas ferramentas utilizadas no Sistema BodyTalk, poucas são tão simples e, ao mesmo tempo, tão profundas quanto a prática dos Córtices.


À primeira vista, ela pode parecer apenas uma sequência de toques aplicada em diferentes regiões da cabeça, acompanhada do tapping característico do método. Entretanto, por trás dessa simplicidade existe uma proposta muito mais ampla: favorecer condições para que o organismo retome uma comunicação mais integrada consigo mesmo.


Nas apresentações introdutórias do BodyTalk, os Córtices costumam ser associados ao equilíbrio da atividade cerebral e à integração entre os hemisférios direito e esquerdo. Embora essa explicação seja útil para compreender a técnica, sua importância vai além de uma visão puramente anatômica.


Podemos considerar os córtices cerebrais como uma interface através da qual interpretamos a experiência humana. Tudo o que percebemos — pensamentos, emoções, memórias, sensações físicas e significados atribuídos aos acontecimentos — passa por processos de interpretação. O cérebro não apenas registra informações; ele seleciona, organiza, prioriza e atribui sentido àquilo que vivemos.


Nesse contexto, a prática dos Córtices pode ser compreendida como um convite para que o sistema saia, ainda que temporariamente, dos padrões automáticos de funcionamento.


Ao longo da vida, construímos filtros que influenciam nossa forma de perceber o mundo. Esses filtros podem ser compostos por crenças, experiências passadas, hábitos emocionais, mecanismos de proteção e condicionamentos adquiridos. Muitas vezes, eles são tão automáticos que deixam de ser percebidos conscientemente.


É comum que uma situação presente desperte reações que parecem desproporcionais ao que está acontecendo naquele momento. Nesses casos, talvez não estejamos respondendo apenas ao presente, mas também às referências acumuladas ao longo da nossa história.


A prática dos Córtices pode favorecer uma maior flexibilidade diante desses padrões. Não porque elimine memórias ou crenças, mas porque cria uma oportunidade para que novas percepções surjam e outras possibilidades de resposta possam ser consideradas.


Talvez por isso muitas pessoas relatem sensações de maior clareza mental, centramento, tranquilidade e presença após sua realização.


Uma compreensão mais profunda da técnica também nos convida a abandonar a ideia de que existe algo "quebrado" precisando ser corrigido. O BodyTalk trabalha essencialmente com o conceito de comunicação. Sob essa perspectiva, os Córtices não procuram consertar o organismo, mas favorecer a integração entre informações que podem estar temporariamente desconectadas da percepção consciente.


Razão e intuição, mente e corpo, passado e presente, aspectos conscientes e inconscientes da experiência humana podem voltar a dialogar de forma mais harmoniosa quando há espaço para essa integração.


Muitos praticantes observam ainda que a prática regular dos Córtices parece produzir algo além do relaxamento. Surge uma sensação de presença. Como se o ruído mental diminuísse por alguns instantes, permitindo que a pessoa esteja mais disponível para perceber a si mesma e ao momento presente.


Uma analogia simples pode ajudar a compreender essa ideia.


Imagine um vitral colorido. A luz que atravessa o vitral permanece a mesma, mas as cores percebidas dependem dos vidros pelos quais ela passa. Da mesma forma, nossas crenças, experiências e interpretações funcionam como filtros através dos quais percebemos a realidade.


A prática dos Córtices não busca mudar a luz. Talvez seu papel seja permitir que ela atravesse outros espaços do vitral, oferecendo novas perspectivas sobre aquilo que já estava presente.


Por sua simplicidade, a técnica pode ser incorporada ao cotidiano como uma prática de autocuidado. Alguns minutos por dia podem representar uma oportunidade de interromper a pilotagem automática, cultivar maior presença e favorecer uma relação mais consciente com a própria experiência.


Em um mundo marcado por excesso de estímulos, pressa e sobrecarga de informações, os Córtices nos lembram de algo essencial: antes de mudar o que vivemos, muitas vezes precisamos ampliar a forma como percebemos o que estamos vivendo.


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CELIA BARBOZA

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